Shiva: o poder da transformação

Shiva é o primeiro Guru. A palavra Shiva em Sânscrito significa "aquele que não é". Em outras interpretações, descreve-se Shiva como "escuridão, destruição".

Na verdade, Shiva é aquilo que existe antes da Luz, antes da criação. Onde todo o potencial do que é, encontra-se. 

Tudo aquilo que conseguimos enxergar, é temporário: pois somente enquanto estiver na presença da luz podemos experienciá-lo. A luz é passageira. 

O Sol (por mais infinito que pareça para nós humanos) um dia irá implodir e esta estrela irá parar de brilhar. O fogo apaga quando não existe mais lenha para queimar. A lâmpada só acende se existe eletricidade pulsando para ela. A Lua só brilha pelo reflexo solar. 

Mas o que existe enquanto a luz não ilumina? Shiva traz a noção da "divina escuridão". 

Somente a escuridão, o infinito não contido em formas, pode conter tudo o que existe. Quando você dá forma a algo, este algo já não pode conter tudo o que existe. Toda a potencialidade do passado, presente e futuro então está contido em Shiva. 

Quando praticamos a postura (asana) Sivasana, a postura do morto, entregamos nosso corpo e nossa mente para entrarmos no mundo da "divina escuridão". De olhos fechados, sem as limitações dos cinco sentidos, aos poucos vamos nos "desligando" do mundo físico, e entrando no mundo de Shiva. 

Aquele que é (yogi) também contém "aquele que não é" (Shiva) quando se conecta com o "nada que existe entre os pensamentos". 

Então, deixe o intelecto de lado e quando for entrar na postura sivasana, realmente entregue-se. E deixe-se limpar e renovar com a potencialidade da "divina escuridão".

Namaste